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Saiba mais sobre o Diabetes Mellitus

03/07/2019 Categoria: Diabetes
Saiba mais sobre o Diabetes Mellitus

Saiba mais sobre o Diabetes Mellitus

 

Definição

   O Diabetes mellitus pode ser definido como um grupo de distúrbios metabólicos de etiologias heterogêneas, que apresenta em comum a hiperglicemia, distúrbios no metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras, resultantes de defeitos na ação e/ou na secreção de insulina.

Incidência no Brasil e no mundo

    A OMS calcula que o número de pessoas com diabetes no Brasil deve se elevar de 4,5 milhões no ano 2000 para 11,3 milhões em 2030, passando do oitavo para o sexto país no mundo com o maior número de pessoas com diabetes.

   O Diabetes mellitus é uma das principais doenças crônicas de caráter mundial. De acordo com a Internacional Diabetes Federation (2017), aproximadamente 371 milhões de pessoas são portadoras e estão distribuídas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

    No ano 2000, o Brasil contava com aproximadamente 4,6 milhões de pessoas com Diabetes mellitus e estimava-se atingir 11,3 milhões no ano de 2030. Em 2012, esse valor passou para 13,4 milhões, levando o País a ocupar a quarta posição em número absoluto de casos.

    O Diabetes mellitus tipo 1 está presente em 5% a 10% dos casos, seu surgimento é, em geral, abrupto, acometendo principalmente crianças e adolescentes sem excesso de peso, podendo ocorrer também em adultos. É resultante da destruição de células betapancreáticas com consequente deficiência de insulina, normalmente é rapidamente progressiva. Na maioria dos casos, essa destruição é mediada por autoimunidade, entretanto, existem casos em que não há evidências de processo autoimune, sendo referidos como forma idiopática de Diabetes mellitus1. Seu tratamento necessita do uso de insulina para impedir a cetoacidose diabética.

    O Diabetes mellitus tipos 2 é responsável por 90% a 95% dos casos, não tem componente autoimune e caracteriza-se por um estado de resistência à insulina, aliado a um defeito em sua secreção. O Diabetes mellitus 2 pode ocorrer em qualquer idade, mas normalmente o diagnóstico se dá após os 40 anos. Manifesta-se, em geralmente, em adultos com excesso de peso e com histórico de Diabetes mellitus 2 na família.

Fisiopatologia

    A doença é uma síndrome de origem multifatorial decorrente da falta de insulina e/ou da incapacidade da insulina exercer adequadamente seus efeitos e tem como principais sintomas a perda de peso, poliúria, polidipsia e infecções. Este agravo, normalmente, é assintomático em seu estágio inicial, o que leva a uma maior probabilidade de desenvolver comorbidades como dislipidemia, hipertensão arterial e obesidade.

    Em longo prazo esta doença ocasiona alterações micro e macrovasculares que levam à disfunção, dano ou falência de diversos órgãos. As alterações microvasculares incluem insuficiência renal crônica, retinopatia com possibilidade de cegueira, úlceras nos pés, manifestações de disfunções do sistema nervoso autônomo e disfunção sexual. As alterações macrovasculares caracterizam-se por doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral, doença vascular periférica e insuficiência cardíaca, sendo as doenças cardiovasculares a principal causa de morte em pacientes com DM.

   Muitas pessoas com Diabetes mellitus são incapazes de continuar a trabalhar em virtude de complicações crônicas ou permanecem com alguma limitação no seu desempenho profissional.

   As ulcerações nos pés dos diabéticos e a amputação de extremidades estão entre as complicações crônicas do Diabetes mellitus mais graves e de maior impacto socioeconômico. As úlceras nos pés respondem por uma incidência anual de 2%, tendo o indivíduo diabético um risco de 25% de desenvolver ulcerações nos pés ao longo da vida.

   Devido a sua natureza crônica, a gravidade de suas complicações e os meios necessários para controlá-lo, o Diabetes mellitus torna-se uma doença muito onerosa, não apenas para os indivíduos afetados e suas famílias, mas também para o sistema de saúde e para a sociedade. Esta doença traz grande impacto socioeconômico para o país, considerando que as suas complicações comprometem a produtividade, qualidade de vida e sobrevida dos indivíduos. Além disso, cuidados em saúde atribuídos a pessoas com diabetes são em torno de duas a três vezes mais frequentes do que naquelas não acometidas pela doença.

Tipos de Diabetes

   A classificação atual do Diabetes mellitus é fundamentada na etiologia e não no tipo de tratamento, portanto, a classificação proposta pela OMS e pela Associação Americana de Diabetes (ADA) inclui quatro classes clínicas: Diabetes mellitus tipo 1 (DM1), Diabetes mellitus tipo 2 (DM2), outros tipos específicos de Diabetes mellitus e a gestacional. Existem ainda duas categorias, referidas como pré-diabetes, que são a glicemia de jejum alterada e a tolerância à glicose diminuída, categorias essas que são consideradas como fatores de risco para desenvolvimento de Diabetes mellitus e doenças cardiovasculares.

Tratamento Clínico dos tipos de Diabetes

   O tratamento em geral é feito com dieta associada a agentes hipoglicemiantes orais, podendo, em alguns casos, ser necessária a administração de insulina para obter controle metabólico adequado.

   O tratamento medicamentoso do DM2 deve ser iniciado apenas quando as mudanças no estilo de vida (dieta e atividade física regular) não forem eficazes para manter as concentrações de hemoglobina glicada (HbA1c) inferiores a 6,5%, mesmo em pacientes sem complicações clínicas, que apresentem boa qualidade de vida, e que tenham boa adesão às orientações nutricionais e à atividade física.

   As classes de antidiabéticos orais mais conhecidas são: Sulfonilureias; Glinidas; Biguanidas; Tiazolidinedionas; Inibidores da alfaglicosidase; Agonista do GLP-1 e Inibidores da DPP-IV.

   A terapia nutricional é essencial para o cuidado e tratamento do DM. Para integrar a terapia nutricional efetivamente no controle total do DM é necessário o esforço coordenado da equipe, incluindo um nutricionista habilitado para implementar os princípios e recomendações para o DM. A terapia nutricional requer abordagem individualizada e educação de automonitoramento nutricional eficaz.

   A monitorização das concentrações de glicose, da HbA1C e de lipídeos plasmáticos, além da pressão arterial sistêmica, da massa corporal e da qualidade de vida é essencial na avaliação do sucesso das recomendações relacionadas à nutrição.

   Existem evidências de que mudanças no estilo de vida possam acontecer com maior sucesso quanto mais cedo ocorrerem as intervenções. Sabe-se que a adoção de alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e pobres em gorduras saturadas, associadas à prática frequente de atividade física regular, podem atuar, beneficamente, na qualidade de vida da população e na redução da carga de doenças no sistema de saúde pública.

   A adoção de plano alimentar saudável é fundamental no tratamento do DM. Para estabelecer as orientações nutricionais ao indivíduo, o primeiro passo é realizar avaliação nutricional detalhada, incluindo a determinação de índice de massa corporal (IMC) e medida do perímetro da cintura (PC). Além disso, a determinação do perfil metabólico é muito importante para o estabelecimento da terapia nutricional do DM e prevenção das complicações agudas e crônicas.

   Está comprovado que condutas referentes à terapia nutricional e ao exercício físico melhoram a sensibilidade à insulina, reduzem as concentrações plasmáticas de glicose, o PC e a gordura visceral. Dessa forma, observam-se melhoras no perfil metabólico, com redução das concentrações de LDL-colesterol e triglicerídeos e aumento do HDL-colesterol.

   Os objetivos da terapia nutricional no DM são:atingir e manter a normalidade glicêmica, perfil lipêmico e de valores de pressão arterial sistêmica; prevenir e tratar as complicações crônicas do DM principalmente às nefropatias e vasculopatias; promover alimentação saudável por meio da seleção correta de alimentos; atender às recomendações nutricionais individuais; fornecer energia adequada para o crescimento e desenvolvimento normais no DM1; reduzir a resistência à insulina por meio da perda moderada da massa corporal e prevenção do ganho ponderal excessivo.

   A American Diabetes Association preconiza que a melhor estratégia nutricional para a promoção de saúde e a redução de risco de doenças crônicas é a obtenção de nutrientes adequados pela alimentação variada, moderada e equilibrada, fundamentada nos pilares da pirâmide alimentar. A fibra solúvel se destaca no controle de dislipidemias e da glicemia, por reduzir a absorção intestinal de colesterol e carboidratos.

   No entanto, a adesão alimentar do diabético só é obtida mediante orientação dietética correta e acompanhamento regular do paciente. A integração dos hábitos alimentares, estilo de vida e tratamento clínico são fatores determinantes do papel da nutrição no controle da doença.

Tratamento cirúrgico Diabete tipo 2

     O paciente que possuí diabetes tipo 2 pode ser submetido ao tratamento cirúrgico, também chamado de cirurgia metabólica.

     Os critérios necessários para o paciente ser submetido a cirurgia são basicamente o IMC (Índice de Massa Corporal) a partir de 30, o cálculo do IMC é feito a partir do peso do paciente dividido pelo quadrado da sua altura. Ou seja, o paciente que estiver menos de 10 anos de diabetes, respeitando os limites do IMC e não está respondendo ao tratamento clinico, pode ser submetido ao tratamento cirúrgico para o controle da doença.

Referencias bibliograficas

Brasil. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: Diabetes Mellitus, Brasília. 2013. (Caderno de Atenção Básica, n. 36).

Maraschin JF. et al. Classificação do diabete melito. ArqBrasCardiol, São Paulo, v. 95, n. 2, p. 40-47, 2010.

Zagury R, Zagury L. Tratamento Atual do Diabetes Mellitus. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p.522, 2009.

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